quarta-feira, 2 de março de 2011

A Arte e a Cultura da Baixada Fluminense

Fazenda São Bernardino, em Nova Iguaçu.

 

A Baixada Fluminense, periferia da região metropolitana do Rio de
Janeiro, vem, aos poucos, reescrevendo a própria história. A
denominação “baixada” é recente, pois, até o século passado, a região
era chamada “recôncavo da Guanabara”. Sempre foi uma região muito
próspera, primeiro com os engenhos de açúcar, depois com a produção de
café e, até o século passado, com a laranja. Frequentemente escrita,
fotografada e interpretada por gente que se encanta diante de tanta
riqueza cultural, a Baixada desponta como região promissora no Estado,
como consequência do crescimento do espaço urbano, econômico e até da
importância política.

Sua cultura tem a forte influência dos negros e nordestinos que

engrossam a estimativa de aproximadamente quatro milhões de
habitantes, segundo os dados do IBGE, e, mesmo assim, é tão pouco
equipada com aparelhos culturais e de educação. Segundo os dados do
Sindicato de Artistas e Técnicos em Espetáculos em Espetáculos de
Diversões do Estado do Rio de Janeiro (SATED/RJ), é da Baixada
Fluminense o maior número de profissionais com registro profissional
no interior do Estado do Rio de Janeiro, abrigando, portanto,
significativa mão-de-obra para a capital.

Vêm ocorrendo excelentes iniciativas por parte do terceiro setor,
inclusive do setor privado, ora numa tentativa de minimizar as
desigualdades nas oportunidades de acesso à produção cultural, ora
para atender ao crescente interesse da população em apreciar as mais
diversas manifestações artísticas.  Dentre estas iniciativas, há os
grupos de dança (do maculelê ao clássico), as mostras de teatro (dos
amadores aos profissionais), as coletâneas literárias e mostras de
música (dos grupos de pagode aos de especialidade erudita), revelando
o inquestionável talento desses cidadãos.

Os artistas da Baixada Fluminense, em suas diferentes segmentações,
têm buscado incessantemente conquistar um espaço de convivência sem
preocupação partidária ou qualquer bandeira; eles compartilham a
condição de viverem numa região periférica e a determinação de que
algo extraordinário aconteça. E assim também continuam as ONGs com
seus cursos de música, de circo, de dança, de teatro, motivando,
empreendendo, oportunizando novos cidadãos, afirmando a beleza de seus
cantos, seus gestos, sua arte.

A emoção faz parte desse povo que, ao ter a chance de se expressar,
deixa transparecer a explosão da alegria e a certeza de seu valor
cultural. A autoestima vem aumentando. A Baixada tem o seu dia, 30 de
abril, marco da sua expansão pela inauguração da primeira estrada de
ferro construída no Brasil.

Às organizações que defendem e procuram integrar a sociedade
“baixadense” creditamos o sucesso desse reconhecimento mútuo. Muitos
encontros e muitas articulações são essenciais, como a idealização do
Consórcio Intermunicipal de Cultura, iniciada no ano 2000 na Faculdade
de Educação da Baixada Fluminense (FEBEF), e, agora, a concretização
de um sonho, que é a reestruturação do Centro de Artes e Cultura da
UFRRJ, no campus Seropédica.

A Baixada Fluminense é um diamante que vem sendo lapidado por uma
pluralidade sem fim de talentos ainda escondidos. Com toda essa força
e empreendimento, pretendemos revelar ao mundo todo esse potencial;
temos a chance de fortalecer tanto culturalmente como economicamente o
Estado do Rio de Janeiro, vitrine de um país livre, rico, com intensa
diversidade natural e cultural.

Assim experimento e sinto-me envolta numa vibração de esperanças que

se renova a cada dia em milhares de cidadãos que produzem suas
riquezas com fé, com garra, com arte, que geram o progresso que
multiplica em cada rua, em cada bairro, em cada cidade, o real sentido
da vida.
- Texto publicado no Informativo Cultural da UFRRJ (CAC), edição Outubro/2009.


* Claudina Oliveira é Atriz; Diretora de Produção; diretora do Fórum
de Cultura da Baixada Fluminense; idealizadora e realizadora do
EncontrArte – Encontro de Artes Cênicas da Baixada Fluminense - e
realizadora do projeto Miss Baixada desde a primeira edição.



((( Por Claudina Oliveira )))

3 comentários:

  1. Oi Claudina ! Olá Fulanada ! rs amei a matéria!!!
    Muito bom!

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  2. Tô tôda, tôda...! Fico muito feliz com o incentivo de vocês!

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